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Por que o Brasil paga tão mal? Um em cada três brasileiros ganha até um salário mínimo
Mais de um terço dos brasileiros vive com até um salário mínimo por mês. Dados do Censo Demográfico de 2022, divulgados em outubro pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostram que 35,35% da população ocupada tinha rendimento mensal de até R$ 1.212, valor do mínimo naquele ano.
O levantamento também revela que, em 520 dos 5.571 municípios do país, ou 9,3% do total, a renda média dos trabalhadores fica abaixo de um salário mínimo.
Pirâmide salarial mostra concentração na base
A distribuição dos salários no Brasil pode ser representada por uma pirâmide salarial, em que a maior parte da população está concentrada na base, com rendimentos mais baixos.
Segundo o IBGE, apenas 7,6% das pessoas ocupadas tinham rendimentos superiores a cinco salários mínimos em 2022 , o equivalente a R$ 6.060 à época.
A pirâmide ajuda a visualizar a distância entre a base e o topo da estrutura de rendimentos, evidenciando o tamanho da desigualdade salarial no país.

Produtividade explica salários baixos, dizem especialistas
Para o economista e professor Waldir Pereira Gomes, no sistema capitalista, os salários estão diretamente ligados à produtividade do trabalhador.
“O Brasil tem uma produtividade muito inferior à de países como os Estados Unidos o que ajuda a explicar a diferença salarial”, afirma.
Segundo ele, essa disparidade não depende apenas da vontade de empresários ou do setor público, mas do quanto cada trabalhador consegue produzir.
O salário mínimo brasileiro, explica o economista, foi definido com base na necessidade de sobrevivência, e não na produtividade, como ocorre em outros países. Para ele, a principal saída para melhorar os salários é investir na qualificação da população, elevando a produtividade e, consequentemente, a remuneração.
O que é qualificação profissional?
Ainda segundo Waldir, a qualificação passa, principalmente, pela melhoria da educação básica e do ensino médio, que hoje apresentam deficiências no Brasil, assim como parte do ensino superior.
“A formação insuficiente resulta em baixa qualificação e menor produtividade”, diz.
Em países desenvolvidos, a educação é tratada como prioridade, permitindo que estudantes se dediquem integralmente aos estudos. No Brasil, a necessidade de conciliar trabalho e estudo, somada a problemas como o analfabetismo funcional e a promoção automática, compromete a formação.
Como os salários dependem do retorno que o trabalhador gera, o economista avalia que a principal solução para melhorar a renda no país é investir na qualidade da educação em todos os níveis.
Quantos ganham os mais ricos?
Os dados do Censo de 2022 mostram que os rendimentos mais altos são acessíveis a uma parcela muito pequena da população:
Apenas, 0,7% das pessoas ocupadas ganhavam mais de 20 salários mínimos (R$ 24.240 ou mais);
7,6% recebiam mais de cinco salários mínimos, 58,75% ganhavam até dois salários mínimos e considerando até três salários mínimos, o percentual supera 70% dos trabalhadores.
Desigualdade por sexo, cor e raça
O módulo de trabalho e rendimento do Censo 2022 também evidencia desigualdades estruturais no mercado de trabalho brasileiro.
Em 2022, os homens tiveram rendimento médio mensal de R$ 3.115, valor 24,3% superior ao das mulheres, que receberam, em média, R$ 2.506. A diferença aparece em todos os níveis de escolaridade.
Já o recorte por cor ou raça também revela disparidades:
- Pessoas amarelas registraram rendimento médio de R$ 5.942;
- Pessoas brancas, R$ 3.659 — ambos acima da média nacional, de R$ 2.851;
- Pessoas pardas tiveram rendimento médio de R$ 2.186;
- Pessoas pretas, R$ 2.061;
- Indígenas apresentaram o menor rendimento médio mensal: R$ 1.683.
Metodologia
Os dados do Censo do IBGE consideram a pesquisa sobre rendimento do trabalho realizada entre 25 e 31 de julho de 2022. Naquele ano, o salário mínimo era de R$ 1.212.
Foram consideradas ocupadas as pessoas de 14 anos ou mais que, no período de referência, trabalharam ao menos uma hora ou estavam temporariamente afastadas de uma atividade remunerada.
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