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Confiança em Serviços mantém crescimento em 2025
O Índice de Confiança de Serviços (ICS), apurado pelo FGV IBRE, encerrou o ano de 2025 em trajetória de alta. Em dezembro, o indicador avançou 0,5 ponto, alcançando 90,6 pontos, marcando a segunda elevação consecutiva no período.
O resultado reflete uma melhora na percepção dos empresários sobre a situação atual, especialmente nos segmentos de Serviços Profissionais, de Informação e Comunicação, que vêm apresentando maior resiliência ao longo do ano.
Em contrapartida, os serviços voltados às famílias continuam registrando queda nas expectativas, sinalizando um consumo ainda enfraquecido.
Segundo Carlos Eduardo Oliveira Jr., presidente do Sindecon-SP, o avanço do índice indica um cenário de estabilidade, mas ainda distante de uma recuperação mais robusta.
“A melhora da confiança no momento presente ajuda a evitar uma retração do setor, mas a falta de avanço consistente nas expectativas limita o potencial de crescimento mais acelerado”, avalia Carlos.
A evolução do ICS traz implicações importantes para a economia brasileira no início de 2026:
Atividade e PIB
A alta do índice sugere um crescimento modesto do setor de serviços no curto prazo, com impacto positivo, porém limitado, sobre o Produto Interno Bruto (PIB).
A confiança atual sustenta a atividade, mas não indica aceleração sem uma melhora mais clara das expectativas.
Emprego
Por ser um setor intensivo em mão de obra, a manutenção da confiança contribui para a preservação de vagas, especialmente nas áreas de Tecnologia da Informação e serviços profissionais. No entanto, a cautela quanto ao futuro reduz o ritmo de novas contratações.
Consumo das famílias
A confiança ainda fraca das famílias limita a demanda por serviços discricionários, o que ajuda a explicar o desempenho mais fraco dos segmentos diretamente ligados ao consumo.
Investimento corporativo
A estabilidade operacional favorece renovações contratuais e projetos em andamento, mas a piora na tendência dos negócios reduz investimentos de maior porte. A expectativa é de um capex mais seletivo, voltado principalmente à eficiência e à digitalização.
Inflação de serviços
A melhora no presente, sem aceleração relevante da demanda futura, aponta para pressões inflacionárias mais contidas em 2026, reforçando o cenário de desinflação gradual no setor.
Política monetária
O quadro atual não demanda uma reação imediata de estímulo. A autoridade monetária tende a manter uma postura prudente e vigilante, calibrando com cautela o ciclo de cortes de juros.
Riscos e cenários para 2026
Ainda segundo Carlos Eduardo, os próximos meses devem seguir alguns cenários principais:
Crescimento limitado dos serviços no primeiro semestre de 2026, sustentado por Tecnologia da Informação e serviços profissionais, enquanto os segmentos voltados às famílias permanecem fracos. O PIB apresenta viés positivo moderado.
A persistência de juros elevados e de incertezas econômicas pode continuar inibindo expectativas, travando investimentos e o consumo discricionário.
Uma queda adicional dos juros, combinada com mercado de trabalho resiliente e desinflação dos serviços, pode melhorar as expectativas e disseminar a confiança para setores mais sensíveis à renda das famílias.
Ainda segundo Carlos, o comportamento das expectativas será determinante. “A confiança atual garante estabilidade, mas a retomada mais consistente do setor de serviços depende de um ambiente econômico mais previsível, com crédito mais barato e renda das famílias em recuperação”, conclui.
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